O problema do CRACK

Até 15 segundos é o tempo que leva para o crack chegar ao cérebro após a inalação, causando uma explosão de prazer intenso que varia de acordo com a quantidade de droga ingerida e do organismo de cada pessoa, mas que em média dura 5 minutos. Após isso a droga é eliminada rapidamente pelo organismo, produzindo uma súbita interrupção da sensação de bem-estar, seguida, imediatamente, por imenso desprazer e enorme vontade de utilizar novamente a droga.

Em uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo que acompanhou 131 usuário de crack que saíram de um hospital de tratamento e 12 anos depois: 33% se recuperaram, 17% continuam usando, 20% desapareceram, 10% estavam presos e 20% foram mortos em decorrência do uso ou assassinados em função do meio social em que estavam vivendo.

O CRACK escraviza na primeira vez que a pessoa usa a droga, e os indivíduos caem em um efeito espiral sem fim, em que o ato de usar e de procurar meios para usar novamente se alternam cada vez mais rapidamente.

É dessa maneira que o CRACK vem devastando famílias e a sociedade como um todo, pois quando termina o dinheiro que a pessoa tem para usar ela passa a roubar para manter o vício ou acaba virando um mendingo de rua, pedindo dinheiro para manter o seu vício. Portanto é um problema que envolve toda a sociedade e não só aqueles que tem uma pessoa com essa doença na sua família, pois envolve toda a questão de segurança pública.

Porém, mesmo envolvendo a questão de segurança pública em função dos delitos cometidos por usuários em buscas de meios de usar uma nova dose da droga, devemos sempre lembrar que o problema do uso de drogas é extritamente de saúde pública, e que um usuário de drogas sofre de uma doença chamada de adicção e da qual ele não teve escolha de nascer com ela ou não, por isso enquanto a sociedade não acordar para essa realidade, de que a droga é um problema de saúde e não de segurança, continuará a ser assolada por este problema.

A melhor maneira que temos de combater o uso de drogas, é através da informarção e da orientação da sociedade como um todo, para que este tabu seja quebrado e que possa haver uma prevenção efetiva, e caso não tenha sucesso na prevenção, possa haver uma detecção precoce, uma abordagem correta e um acesso a recuperação mais rápido.

Texto de Fernando Hallberg - Presidente do COMAD Cascavel

Fontes: Conversa com usuários da droga e material do Curso de Capacitação de Conselheiros e Lideranças Comunitárias da UFSC.